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Referendo no Sudão do Sul Versão para impressão
Sábado, 08 Janeiro 2011 22:44

sudan-365Um novo país independente em África ?

Depois de longos anos de guerra civil no Sudão, firmou-se um acordo de paz em 2005, garantindo-se a realização de um referendo junto da população do Sul para saber da sua vontade de unidade ou de independência . Diversas organizações procuraram manter viva a consciência colectiva sobre a seriedade desta causa.


Segundo a Euronews, no Sul o referendo de autodeterminação é visto como uma marcha final para a liberdade. A par com os cartazes de apelo ao voto, centenas de sudaneses de Juba, a capital do Sul, já celebram antecipadamente o escrutínio. Analistas e dirigentes em Cartum acreditam que resultará na separação entre o Norte muçulmano e o Sul maioritariamente cristão e animista.

O responsável da missão da ONU, David Grassley, sublinhou que os cépticos que não acreditavam que o Sul do Sudão estaria pronto para realizar o referendo estavam errados. Os eleitores, os observadores nacionais e estrangeiros, os funcionários das assembleias de voto e a polícia devem agora fazer a sua parte para salvaguardar a integridade do processo.

A partir deste dia 9 e prolongando-se por uma semana vai-se decidir o futuro da região. As Nações Unidas acreditam que tudo está a postos para um escrutínio pacífico e credível.

O Sul do Sudão deseja tomar o seu destino nas suas mãos e poderá usufruir dos muitos recursos que tem, nomeadamente o petróleo, água, minerais, terras férteis e florestas. Mas há ainda questões melindrosas a resolver com o Norte:

Em primeiro lugar a questão das fronteiras, tendo já concluído 80 %, mas faltando ainda 20 %, o mais complicado porque também abrangendo a parte mais rica em petróleo.
Vem depois a questão da dívida externa e quanto é que vai caber a cada parte.
Por causa da guerra civil muitos habitantes do Sul fugiram para os arredores de Cartum. Qual será o seu estatuto ? Cartum já ameaçou que no caso da independência eles perderão os seus direitos de soberania. E calcula-se que rondarão os dois milhões.
E ainda uma questão muito séria que é a partilha de recursos, especialmente do petróleo do Sul. A explosão económica sudanesa poderá ser muito afectada por isto. E a crise económica pode acarretar surpresas.
E finalmente a questão de Abyei, cujos habitantes deverão decidir da sua ligação ao Norte ou ao Sul, sabendo que estes não são os únicos em jogo uma vez que os árabes de Misseriya, embora vivendo a norte da fronteira, têm direitos de pastagem em Abyei durante a estação seca.

Pensando no papel das Igrejas nesta questão, pode-se dizer que sempre apoiaram o direito do Sul à autodeterminação, liderando uma campanha com o lema "Deixem que o meu povo escolha". No passado mês de Julho os bispos católicos escreveram o documento "Um futuro cheio de esperança", apontando para o momento histórico que se está a viver, conscientes de que o Sudão nunca mais será o mesmo e instando os líderes do norte e do sul a garantirem que os referendos serão preparados de forma livre e justa e os resultados respeitados. Lançaram a acção "101 Dias de Oração por um Referendo Pacífico", promovendo juntamente com outras iniciativas a paz e a reconciliação.

 

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